Soneto Menor

Trem menino, companheiro,

meu brinquedo preferido,

vê-lo à tarde, passageiro,

me fazia embevecido.

 

Mas cresci, e eis que, ligeiro,

também ele, já crescido,

buscou outro paradeiro,

nem se tendo despedido.

 

Quando menos vi a hora,

o trenzinho foi-se embora,

tanto tempo, tantos ais,

 

que parece a minha vida,

esse trem que só tem ida,

não tem volta, nunca mais!