LULA ALENCAR

 

Sem dúvida, as principais dificuldades do instrumento foram, e ainda são: lidar com seu peso, manejar o fole e entender aquele monte de botõezinhos "invisíveis" do lado esquerdo do instrumento. Sinto uma dificuldade muito mais técnica do que musical.

 

Você teve incentivo da família quando resolveu ser músico?

Sempre toquei zabumba ou triângulo com meu pai quando ainda criança no sertão do Rio Grande do Norte. Escolhi a música como meu caminho e tive total incentivo deles quando, no ano de 1994, começava a tocar piano, teclado em bandas de bailes, serestas e afins. Seis anos depois viria pra São Paulo. Dessa vez não mais de 'pau de arara' como muitos outros sanfoneiros. Na bagagem, trazia comigo a sanfona na qual ainda estou aprendendo a tocar, comprada um dia antes de partir, pois esse era um pedido de um pai sanfoneiro, pessoa que irei me espelhar pelo resto da vida.

 

A sanfona é um instrumento que teve sua época de glória, e durante anos ficou um tanto esquecida. A sanfona é um instrumento do passado?

Olha, antes me parece que existia uma certa obrigatoriedade por parte dos pais para que seus filhos tocassem sanfona, e quando esses mesmos filhos se formavam sanfoneiros nunca mais queriam ver uma sanfona na frete, guardadas suas exceções. Por isso acho que ela (a sanfona) ficou ali anos e anos esquecida por eles. Por outro lado, a sanfona é resistente; e essa mesma sanfona esquecida vem servindo a novos interessados (sem a obrigação) fazendo-a soar de novo, lhe dando carinho, xamêgo e vida nova. Sanfona é sim um instrumento do passado, mas também é do presente e do futuro.

 

Por suas características sonoras, existe um repertório indicado para o instrumento? Em que situações o instrumento pode ser indicado para enriquecer a sonoridade de uma formação musical?

Eu acho que a sanfona pode soar em qualquer tipo de música. Claro, tem repertório onde é mais comum ouvi-la, por exemplo o baião, no caso do Brasil.

 

Você costuma fazer oficinas em Festivais de Música? Como é essa experiência? Percebe que pode haver um crescimento no interesse dos jovens pela sanfona?

Não costumo fazer oficinas. Essa vai ser minha segunda vez à frente desse desafio. A primeira vez foi no ano de 2007 em Curitiba e foi uma experiência muito boa. Aprendi muito. Digo que não sou muito chegado nessa área didática, pois sou mais do palco, da prática em si. Porém, uma vez estando à frente de uma turma de músicos com sede de fazer música, tudo vai dando certo. Sim, esse crescimento é evidente e a cada dia que passa vejo mais sanfoneiros se formando. Agora mesmo estava em Sousa (PB) e me encantei por um desses jovens sanfoneiros. O cabra tem que ser corajoso.

 

Que conselho você daria a um jovem estudante de sanfona?

Cuide da sua coluna. E da sua música como cuida da sua coluna...