A solidão de Alcides

Alcides Batista, Lico, ia. Varas nas costas, tarde e brejo, até o rio. Estava e sentava e só. Na beira d´água, na lagoa cercada de mato. Pegava fumo e palha, montava o cigarro, pitava, baforava fumaça e ficava vendo-a perder-se no alvéolo das árvores. Se solidão fosse espaço, a dele seria sideral. Mas qual, não! Não é imensidão! Solidão é um sal de que se entende pouco, e usa-se mal, menos Lico, entendedor da arte. Solidão é a traíra que ele ia pescar, peixe que quando seca a lagoa sobrevive enterrado na lama, esperando o rio encher e devolver-lhe água. Solidão é essa espera na lama, fora das metáforas. Solidão são aquelas árvores e seus cipós, imóveis. Solidão do enlace do cipó e da árvore. Solidão de Lico é ouvir grilos, como se terremotos, violinos... Na solidão fisgar a traíra e ter em si um gol, orgasmo, ou abraço de amigo, mas bem ali, bem só. Noite lhe lambendo as nervuras...