1º de Abril

Para Isa

 

Dia da mentira ou da verdade?

 

Gandhi,o pacifista,afirmou que a verdade é dura como um diamante e delicada como a flor do pessegueiro.Ditadores de plantão,de todos os níveis e ideologias,acham que uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade absoluta,o que é plausível nos dias de hoje,pela força dos meios de comunicação.

Diz aí,amiga,o que é mentira ou o que é verdade?

Quando jogamos conversa fora,essa fauna que suga a pátria e compra consciências,está longe de nossa pauta exclusiva.

Inventamos mundos lúdicos,poéticos,regidos pela Arte.Conto-lhes uma de 1ºde Abril.

Estávamos num restaurante “Vip” e os da mesa ao lado achavam que éramos loucos de pedra só porque bebíamos chopp com canudinho em taça de cristal. Os garçons,sérios,morriam de rir quando saiam do salão e caprichavam em nossos pedidos.

Naquele dia,ou melhor,naquela noite,queríamos por a conversa em dia.

Falamos de palhaços,duendes,a mecânica dos sonhos,as desventuras da égua branca de Napoleão,os adoradores de beterraba,a mulher do bispo,a corrida de tartaruga em câmera lenta,o sexo dos anjos,a olimpíada de cuspe à distância e outros temas de vital importância para o mundo em que vivemos.

Naquele restaurante chique,os da mesa ao lado,depois de comes e bebes e muito papo cabeça,quando iam saindo,acenaram em nossa direção com sorrisos amáveis.Não entendemos nada.Meia hora depois,quando pedimos a conta,o garçom disse:

-O doutor da mesa ao lado fez questão de pagar a conta e até deixou um bilhetinho pra vocês.

Estava escrito ”Foi a melhor peça de teatro que assistimos.Parabéns!”

Como não sou ator e até bebi pouco naquela noite,todo o mérito do espetáculo coube à minha amiga que deu um show de improviso,contando verdades que pareciam mentiras e vice-e-versa.

 

O tempo passou rápido,ela perdeu o ônibus para a sua cidade e eu nem me lembrava mais de onde tinha vindo.Mas como éramos atores ou astros do primeiro time,resolvemos passar o resto da noite num hotel estelar e pedimos logo a suíte presidencial. O resto não conto porque tudo aconteceu num primeiro de abril e ninguém vai acreditar mesmo.